Por que Carlos Zéfiro?
Este texto foi publicado originalmente em junho de 2008, em nosso antigo blog hospedado no WordPress. Repito o post por aqui como lembrança do ano em que nos debruçamos na pesquisa da vida de Alcides. A seguir, o início de tudo que nos levou a escrever a biografia de Zéfiro:
===
01/06/08
Perguntaram-me algumas vezes e ontem, na mesa do bar, perguntaram mais uma vez. Afinal, por que escrever sobre Zéfiro no TCC da faculdade? E alguns perguntam com um ar de quem pensa que só escolhi esse tema para ficar lendo revistinhas de sacanagem… isso também, mas não só!
Na verdade, a vontade de contar a história da vida de Alcides Caminha não surgiu da noite para o dia. Ano passado, fiz uma reportagem para a revista dos alunos da Cásper Líbero, a Esquinas, sob a coordenação da jornalista e professora Rosângela Petta. Publicada no mês de agosto, a edição foi recheada da pautas sobre o tema “E lá se foram 60 anos”, uma referência ao aniversário do curso de jornalismo, cuja primeira turma é de 1947, quando a Cásper ainda era subordinada à PUC-SP. E o Zéfiro entrou na dança porque, segundo a editora A Cena Muda, que está relançando os “catecismos”, uma de suas primeiras histórias foi “Sara”, de 1949. Uma sessentona, portanto.
Entrevistei Juca Kfouri, que revelou Alcides Caminha em uma reportagem da revista Playboy, em 1991. Também falei com Adda Di Guimarães, proprietária da A Cena Muda, e com Otacílio d’Assunção, que está de volta como editor da revista MAD e escreveu O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, livro que circulou em 1984 e está bem longe até dos sebos hoje em dia, infelizmente. Ainda passei algumas horas navegando no carloszefiro.com, do norte-americano Dave Braga, que morou no Rio quando garoto e me disse que comprava muita pornografia.
“Desde os 12 anos, eu pedia nas bancas do Leblon: ‘tem sacanagem?’ Se te conheciam, eles vendiam, se não, eu tinha que pedir para os meus amigos comprarem”, disse ele. “Quero escanear todos os que tenho, para dar de volta ao Brasil essa educação que recebi naquela época.”
Achei bonito o fascínio de Braga por Zéfiro, e comecei também eu a me encantar por essa época que não vivi. Os “catecismos” não traziam sacanagem pura. Se você ler alguns deles, vai perceber que, às vezes, há páginas e páginas até alguém ficar pelado. Muito diferente da oferta pornográfica atual. As foto-novelas de sexo de hoje saem em revistinhas que vão direto ao ponto (epa!), sem graça ou enredo nenhum. E não há nada o que comentar sobre os vídeos pornôs: é só um dizer “oi” ao outro e, pumba!, tão na cama.
Para resumir, a história de Alcides me intrigou. De Zéfiro, ok, sabe-se um pouco. Mas e o homem que se escondeu sob o pseudônimo por mais de 40 anos, porque tinha medo de perder o cargo de funcionário público no Ministério do Trabalho? É a mesma pessoa que compunha sambas maravilhosos. Desenhista e escritor, apesar dos erros de português. Casado, infiel, pai de cinco filhos, morador do subúrbio carioca e trabalhador. Carinhoso e bruto, dependendo da situação. Um estudante que concluiu o segundo grau com mais de 50 anos de idade, adorava ler e assistir ao Jornal Nacional. E que morreu sem curtir muito a merecida fama de artista. Este é Alcides Caminha, que, desde a reportagem para a Esquinas, me deixou com vontade de conhecer melhor a história de sua vida. É o que faço agora, ao lado do Marcio, para saciar a nossa curiosidade e a de muitos que admiram Alcides, um nome modesto, como Carlos Zéfiro.

























Postar um comentário